sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Filmes que você não pode deixar de ver! 14. De Porta em Porta



14. De Porta em Porta - Door to Door, 2002, EUA
 De Steven Schachter, com William H. Macy (Bill Porter), Kyra Sedgwick (Shelly Soomky Brady) e Helen Mirren (Sra. Porter).

O filme inicia-se na década de 50 em Portland, Oregon. É baseado na história verdadeira de Bill Porter. Apesar de ter nascido com paralisia cerebral, que lhe ocasiona dificuldades de fala, de coordenação motora e no andar, Bill porter tem todo o apoio da mãe para conseguir um emprego como vendedor, como foi seu falecido pai. Bill recebe muitos nãos, mas não desiste, e acaba conseguindo um emprego na Watkins Company, apesar da relutância da empresa por causa de suas limitações e a venda de porta em porta ser uma tarefa cansativa.  Bill só conseguiu o emprego pois implorou que lhe desse a pior rota, aquela que ninguém queria. Bill sofreu muitas rejeições. Sua aparência não era das mais belas, mas ao fazer sua primeira venda para uma jovem senhora alcóolatra  reclusa, Gladys Sullivan, ele literalmente não parou mais . Por mais de 40 anos Bill caminhou 16 quilômetros por dia, teve problemas na coluna e, para ajudá-lo nesta trajetória, além de sua mãe e Gladys, surgiu Shelly Soomky Brady. 

O enredo versa sobre diferenças, indiferenças, acertos e preconceitos. Retrata uma pequena família composta por mãe e seu único filho: Bill Potter. Sua mãe é sua grande incentivadora e passa a ele dois valores básicos: paciência e persistência. Paciência e persistência, portanto, foram os segredos que transformaram Bill Porter num vendedor bem sucedido e o mais importante da Watkins. Uma coluna sobre Porter em 1995 no Oregonian Journal retratou que ele foi um símbolo popular da determinação e entusiasmo. Mas sobram tragédias na vida de Bill Porter, algumas menores, outras maiores. Sua mãe tem Alzheimer e ele se revela um bom cuidador, invertendo a situação. É verdade que ele encontra muita gente boa pela frente, como a bêbada solitária interpretada por Kathy Baker, o garoto assustado que tinha medo de Bill e depois vira jornalista, e é responsável por uma reportagem emocionante sobre Bill Porter, quando a Watkins, entrando na modernidade, resolve acabar com as vendas de porta em porta e informatiza todo o setor, e especialmente, a jovem Shelly (o papel de Kyra Sedgwick), uma mulher de coração de ouro, que ajudou Bill durante toda sua vida. 

Numa época em que a "boa aparência" parece ser uma condição primordial para a conquista de um emprego, a experiência de William Porter merece ser divulgada. Por mais de 40 anos Bill foi vendedor de porta em porta pela Watkins, fez vendas e amigos. Em suas próprias palavras: "O mundo me disse que eu jamais poderia ganhar meu dinheiro, minha mãe disse que eu podia e meu pai disse que eu devia!" E ele conseguiu! 
A análise deste filme pode ser utilizada como procedimento pedagógico para identificação de habilidades sociais, como exemplo de superação e um modelo a ser seguido, principalmente pelos pais de pessoas com deficiência. Ele nos transmite a capacidade de acreditar em nós, não importando os limites sociais e estruturais e que todos nós podemos ser agentes de transformação. Bill, que tem  corpo deficiente, mas não o espírito, faz uma vitoriosa carreira de porta em porta causando grande impacto nas vidas de seus clientes. De coração em coração, ele sabe como se comunicar com as pessoas. Steven Schachter motiva através de seu filme qualquer pessoa a reivindicar um direito básico: ser como ela é. 
OBS: Depois de quebrar o quadril num acidente, em 1998, Bill Porter abandonou as vendas de porta-em-porta, mas ainda trabalha na Watkins como consultor e vendedor on-line. Se quiser saber algo mais, ou comprar um dos produtos vendidos pelo verdadeiro Bill Porter, acesse http://www.watkinsonline.com/billporter/

 Bill Porter e Shelly na vida real

6 comentários:

  1. Que lição de vida!
    Realmente o que se leva da vida é a vida que se leva.
    A vida é muito curta para ser pequena.F. Pessoa

    Podemos também classificar as pessoas como
    D EFICIENTE
    Afinal quem não é deficiente em alguma ou muitas coisas?

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  2. Oi Anônimo, obrigada pela visita!
    Concordo plenamente com Fernando Pessoa e ainda acrescento que além de muito curta, nossa vida é única. Portanto, temos apenas uma oportunidade para decidir como vamos vivê-la: plenamente, com os recursos que temos ou superficialmente, lamentando sobre o que nos falta.
    E concordo com você sobre todos sermos deficientes. A perfeição está longe do ser humano. Não é um braço faltoso ou uma baixa visão que nos faz deficientes. Essas características "faltosas", ao contrário, nos tornam "Eficientes".

    Abraços

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  3. voce e uma superação de vida mue amigo

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  4. Bill parabens pela persistencia e paciencia vou seguir o seu jeito de trabalhar, eu amo vender!!!felicidades mil ass Isabel
    Sao jose dos campos -SP

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  5. Iara Guabiruba S.C.27 de outubro de 2011 14:04

    Bill eu me apaixonei por você, desejo-lhe toda felicidade do mundooooooooooooo

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  6. Fui vendedor por oito anos de minha vida e os quatro primeiros foram ótimos. Adorava demonstrar os produtos da empresa em que trabalhava, mas apesar de ter gostado e passados esses quatro primeiros anos comecei a ter uma maior percepção das coisas, da realidade por assim dizer e infelizmente descobri o quanto as empresas prejudicam seus clientes os enganando para atingir suas metas porque, hoje em dia, se não fizerem assim, não vendem.

    A época das vendas honestas acabou e por isso que meus últimos quatro anos como vendedor foram um inferno em minha vida devido as pressões que sofria por não bater as metas porque eu havia escolhido não enganar as pessoas. Muitos até hoje me criticam e não aceitam que eu tenha escolhido a honestidade porque acreditam que os vendedores têm sim que fazer isso, enganar para vender porque o mundo é mal e que devemos ser também. Discordo disso.

    Cheguei a enganar para vender e vendia muito assim, mas isso a um custo muio alto. Chegava em casa todos os dias me sentindo extremamente angustiado, pressionado por mim mesmo e pela empresa que, nos dias atuais, já não vê mais os seres humanos, mas apenas lucro. O que importa é só o lucro e não os meios.

    Ainda considero as vendas uma ótima modalidade de trabalho, mas que hoje não me atraem mais devido a maculação dela por parte das empresas por todo o mundo. Meu caráter e meus valores não estão mais a venda por um salário polpudo há muito tempo, mas esse filme mostra a beleza que, por incrível que pareça, também pode ser encontrada em uma profissão que, infelizmente, hoje é caracterizada e estigmatizada por empresas e vendedores sem caráter.

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