quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SOFTWARE PARA TRABALHAR COM AUTISTAS/TID

SOFTWARE DESCOBRINDO EMOÇÕES

Desenvolvido por Creice Barth (NIEE/UFRGS)
M.sc. Liliana Maria Passerino (ULBRA/FEEVALE)
Dra. Lucila M. C. Santarosa (NIEE/UFRGS)

O software Descobrindo Emoções tem como público alvo pessoas com transtornos invasivos do desenvolvimento e autistas, alfabetizados ou não e está baseado em estudos feitos por Baron-Cohen e colaboradores sobre a Teoria da Mente.
O objetivo deste software é trabalhar as incapacidades sociais e comunicativas de pessoas com transtornos do desenvolvimento e autismo através da apresentação de situações-problemas proporcionando um melhor desempenho nas interações sociais diárias dos sujeitos.
A Teoria da Mente significa a capacidade de atribuir estados mentais a ele mesmo e a outras pessoas e dessa forma poder predizer o comportamento dos outros a partir das suas crenças, desejos e intenções representadas no estado mental (Howlin et al., 1999).
Abaixo um exemplo do nível 1.
No nível 1, apresenta-se para o aluno uma situação-problema, e quatro emoções possíveis: feliz, medo, raiva e triste. No exemplo da figura 1 apresenta-se para ele uma situação seguida de uma pergunta "Maria foi ao aniversário de Carla, a pergunta é:
Como Maria está se sentindo?"

A criança selecionará a emoção apresentada nos rostos à direita. A medida que o aluno vai acertando poderá passar para a próxima situação ou para outro nível. No final um Relatório de Desempenho do aluno é gerado através da verificação quantitativa de acertos.



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

TAMPINHA DA COCA-COLA MAIS ACESSÍVEL!

Com a funcionalidade das mãos comprometidas após meu acidente, parei de comprar refrigerantes pet.  Abrir uma garrafa de refrigerantes era uma tortura. Ficava imaginando quantas pessoas tinham as mesmas dificuldades, por deficiência ou velhice e não entendia como ninguém não pensava num modo de abrir mais acessível. Relatei em duas postagens antigas minha indignação com as maçanetas e embalagens e com a falta de preocupação com um design acessível:  Maçanetas redondas não são acessiveis e Visão Eficiente do Mundo Deficiente
Pois bem, a Coca-Cola pensou! Consegui abrir com menos dificuldades a nova garrafa lançada há pouco no mercado. Ela vem com uma tampinha com relevos por fora que facilita o girar, ajudando quem tem força diminuída nas mãos. Se bem que ao pesquisar sobre essa nova tampinha não li nenhuma menção à “acessibilidade”, mas valeu. 



Os fabricantes do grupo Coca-Cola no Brasil terão até o final do ano que vem para adaptar a nova tampinha em todos os produtos. A minitampa tem apenas duas roscas, contra três da anterior e isso possibilitou uma redução na altura e no peso da garrafa. Pode parecer muito pouco, mas a Coca-Cola conseguiu reduzir custos e o impacto ambiental de seus produtos, com menor consumo de matéria-prima e energia na produção.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

MODIFICAÇÃO COMPORTAMENTAL NO AUTISMO - Relato de um caso bem sucedido

Muita coisa já foi escrita e muitas teorias já foram criadas na tentativa de tentar explicar os mecanismos envolvidos nos sintomas autísticos.  A “Teoria da Mente” é uma delas, e procura explicar a habilidade que as pessoas têm de atribuir estados mentais a si e aos outros, ou seja, procura explicar como uma pessoa atribui a ela mesma e/ou a outras pessoas, as emoções, as crenças os desejos e as intenções e o faz de conta. Os autistas possuem um déficit nessa capacidade de construir "teorias da mente", que dificulta não só a compreensão da própria mente como também a compreensão da mente de outras pessoas.  Ao mesmo tempo em que ele não sabe como funciona o mundo e as pessoas, não sabe também como ele próprio funciona. Não é capaz de avaliar porque estamos tristes ou bravos, por exemplo, ou de prever nossas reações e conhecer nossas expressões faciais.

Por exemplo, costumo fazer o mesmo trajeto para levar meu filho à escola. Hoje uma das ruas está interditada e mudo o trajeto. Uma criança sem autismo entende que essa mudança em nada vai afetar o seu dia na escola, no máximo um atraso.  Mas a criança com autismo não pode “prever” ou entender que essa mudança não afetará seu dia. Ela guarda na memória todas as ações, atividades e trajetos até chegar à escola e uma mudança gera ansiedade, medo e recusa. Por isso, se apega em rotinas. As rotinas são previsíveis. Daí ela se torna inflexível e fará de tudo para que esse trajeto não seja mudado.

Essa falta de habilidade é estendida para a identificação de emoções, tanto em si, quanto no outro. Sabemos quando nosso coração bate aceleradamente por medo, alegria, susto ou até felicidade. O autista, alguns em menor grau e outros severamente, não reconhece essas diferenças.  Ele sente apenas o coração batendo aceleradamente e não identifica se está correndo perigo ou se está feliz. A sensação e a reação pode ser a mesma para os dois fatos.

O autista também não brinca de “faz de conta”. Não usa uma colher, por exemplo, como microfone, ou uma caixa de papelão como um carrinho. Seria muito complicado se ele tivesse que memorizar todos os usos de uma colher. Para o autista as coisas são ou não são. Não entende também quando você tenta brincar de aviãozinho para alimentá-lo ou não sabe brincar com uma boneca, que nada mais é do que “um faz de conta”.

Esse caso ilustra de forma clara a “teoria da mente” e relatarei aqui o início dos atendimentos desse adolescente encantador de 16 anos com autismo. Seu autismo é de grau leve para médio, contudo apresentava muitas esteriotipias e distúrbios comportamentais.
Aprendi com eles que nada deve ser feito ou mudado sem antes informá-los e então orientei a mãe como deveria proceder para trazê-lo às sessões. Paulo, como o chamarei aqui, já havia sido treinado com o sistema de horários do TEACCH (Promovendo a Aprendizagem para Autistas) e bastou ser acrescentado o cartão da “Psicóloga” em seu “horário de atividades” de casa. Antes a mãe o trouxe ao consultório por quatro vezes, as terças e quintas, no horário combinado e associou a ida ao cartão. Na primeira vez ele apenas entrou na sala e explorou-a, na segunda fiz o sentar e na terceira ficou 20 minutos. A partir daí ele já aceitou vir e ficar de 40 a 60 minutos comigo. Foram seis sessões de avaliação onde suas habilidades e dificuldades foram levantadas e junto com a família traçamos alguns objetivos. O primeiro foi trabalhar suas reações extremas e de auto-agressão frente a barulhos altos, frente a medos, a felicidade, raiva e tristeza. Paulo se descontrolava quando ouvia foguetes estourando ou barulhos muito altos e estranhamente tinha os mesmos comportamentos frente a manifestações de alegria, tristeza e medo.

Comecei então com balões.  Primeiro vazios, é claro. Fiz muitas atividades com balões. Brincamos de enchê-los com água, usamos como barbante para consertar carrinhos, recortamos e fizemos colagem e amarramos uns aos outros para fazer uma grande corda, que ele adorou.  Agora passamos para a fase de enchê-los. Um pouco só, evitando estourá-los. Bolei algumas atividades também com os balões meio cheios, como fazê-los assoviar, sair voando quando soltos, entre outras.  Tudo bem até aqui. Precisava agora fazer com que ele estourasse um balão com um alfinete. Permiti que tampasse bem os ouvidos e eu estourei um. Ele começou a se auto-agredir, como fazia, mas parou logo e ficou esperando que eu estourasse outro. Coloquei sua mão sobre o seu coração e disse “susto”, mostrando o cartão de um balão estourando. Tentei novamente. Coloquei-lhe um protetor auricular e estourei outro e antes que ele pudesse se morder, peguei sua mão, coloquei-a no coração e disse “susto”, mostrando novamente o cartão. Depois de algumas sessões ele já não precisava mais  tampar os ouvidos. Eu lhe mostrava o cartão antes, permitindo assim que ele pudesse saber o que iria acontecer e se preparar, dava-lhe o alfinete e ele mesmo estourava. 

Foram seis meses trabalhando com “sustos”. Levei jogos que “dão sustos”, como o “Pula Pirata”,  entre outros, sempre trabalhando juntamente com os cartões, agora eram dois, um com o balão estourando, onde eu falava “estouro” e outro ilustrado com um menino com uma expressão assustado, que eu denominava apenas “susto”. Estava tentando associar à emoção a expressão facial com esse segundo cartão. Minha intenção era retirar o cartão do balão estourando e usar apenas a da expressão facial na identificação da emoção.
Precisava agora mostrar-lhe a diferença entre “levar um susto”, onde o coração bate aceleradamente e “ficar feliz”, onde o coração também bate depressa. Ele reagia com auto-agressões quando feliz, assustado, triste, com raiva ou medo. Para isso contei com a ajuda da família. Selecionamos várias situações que o agradavam muito e onde ele se auto-agredia. Reproduzi-as em consultório, agora mostrando-lhe o cartão do que iria acontecer e o cartão de um menino feliz e dizia “feliz”, colocando sua mão no coração para perceber que também batia depressa.
Não precisou de muito tempo para ele perceber que as duas coisas faziam seu coração bater loucamente, mas que ele saberia como enfrentar, pois agora ele sabia o que sentia.
Sua mãe começou a usar os dois cartões em casa, o do “susto” e o da “felicidade”, bem como outros que foram treinados posteriormente, como o cartão da “raiva”, do “medo” e o da “tristeza”. Sempre ela usava um cartão para identificar o que iria acontecer e o da expressão facial para identificar o sentimento e prepará-lo para a situação. Acreditamos que ele compreendeu o significado de “emoções” quando seu carrinho quebrou e ele buscou o cartão da “raiva” e do “susto”, mostrou a sua mãe, colocou a mão no coração e disse: “coração bate”. Sua mãe, acertadamente, trocou os dois cartões pelo da “tristeza”, fazendo com que ele se definisse melhor.
Montamos um caderninho que ele carrega no bolso com todos os cartões. Na escola, as professoras o ajudam a identificar suas emoções com os cartões, preparando-o para as situações que irão acontecer. Por exemplo, no dia da natação, que lhe causa enorme felicidade e prazer, em seu horário de atividades, antes do cartão da natação, está o cartão da felicidade. Assim, é permitido que ele saiba de antemão o que irá acontecer e como ele irá se sentir. Antes, por ser tudo a mesma coisa, ou melhor, por ele considerar todas as emoções iguais, medo, susto, raiva, alegria e tristeza, ele não sabia como reagir. Tudo que faz bater o coração forte e rápido é perigoso, é medo, é susto, portanto, preciso me defender.  Ás vezes, não podemos prever com antecedência o que irá acontecer, então, se estourava um foguete na rua, a professora pegava imediatamente o cartão do “susto” e lhe mostrava, apagando qualquer chance dele se auto-agredir e se sentir ameaçado.

Não sei se Paulo um dia irá largar seus “cartões de emoções”, como eu os chamo. Mas fazê-lo entender esses sentimentos básicos, abriu-lhe muitas outras portas e o fez mais tranqüilo. Deve ser muito difícil sentir alguma emoção e achar sempre que é medo, como Paulo achava. Ainda acontecem imprevistos, mas contornáveis, e outros cartões se somaram aos cinco iniciais, como o da “dor” e da “paixão”. Sim, o coração de Paulo bateu mais depressa por uma menina, pode isso?

Essa foi a primeira fase. Ainda trabalhamos outras dificuldades, comportamentos e esteriotipias. Mas isso fica para um próximo post.

VEJA TAMBÉM: PROMOVENDO A APRENDIZAGEM PARA AUTISTAS 
                     FACILITANDO A COMUNICAÇÃO PARA AUTISTAS

sábado, 30 de outubro de 2010

PERDAS, SEPARAÇÕES E MORTE

A perda é uma experiência humana universal. Geralmente quando pensamos em perda, pensamos na morte de pessoas queridas. Mas a perda é algo muito mais abrangente em nossas vidas. Perda da juventude, de ideais, de sonhos, de bens materiais, de animais de estimação, de poder, e a perda mais sofrida, a perda de pessoas que amamos, seja pela separação, pelo abandono ou finalmente, pela morte.
Essas perdas fazem parte da vida, são universais e inevitáveis. São necessárias, pois para crescer temos que saber perder, abandonar e desistir. Só crescemos quando desistimos de ser criança e precisamos desistir de tantas outras coisas para crescer: renunciamos sonhos, desistimos da faculdade, mudamos de casa, perdemos o emprego. O sofrimento é inevitável, pois geralmente fazemos investimentos emotivos ao que nos pertence. Amamos pais, filhos e parceiros, amamos nossa casa, nosso carro, aquele colar dado pela amiga, amamos nosso emprego e nosso cachorro. E mesmo não amando nosso celular, sofremos ao perdê-lo, pois nos pertence.

Temos que suportar as perdas e embora algumas possam ser balanceadas pelos ganhos, nem sempre temos consciência deles. Perder tira as pessoas da linha de equilíbrio, perder leva ao sofrimento emocional. Perder dinheiro, perder bens materiais, mas principalmente perder pessoas.
Quando falamos em perder pessoas estamos falando de todo tipo de perda, da pessoa que você perdeu por morte ou por mudança, ou daquelas em que a convivência foi morrendo, ou mesmo da perda pela separação, divórcio ou abandono.
A perda dá origem a ansiedade e esta, apesar de negativa, contém as sementes da esperança, pois podemos “achar” ou “ter” novamente aquilo que “perdemos”. Essa ansiedade nos consome e nos desequilibra por um bom tempo, mas nos mantém em pé.  Vivemos nesse período com a sensação de “algo faltando” até que tomamos a consciência de que “se perdeu” realmente, e é preciso ficar frente a frente com esse fato, se permitir “sofrer”. Mas em alguns, essa ansiedade transforma-se em desespero, depressão e protesto e consequentemente em sofrimento extremo. Mas não podemos evitar a morte, o divórcio e muitas outras perdas, então, criamos mecanismos ou estratégias de defesa contra dor da separação. Alguns saudáveis, outros não. Podemos nos tornar indiferentes emotivamente, pois se não amamos, não sofremos. Ou, ao invés de sofrer, ajudamos os que sofrem, ou, infelizmente, “morremos” junto, deixamos de viver, pois julgamos que o que “se perdeu” levou parte de nós. Ou podemos, na melhor das hipóteses, passar por esse processo de forma “mais saudável” - lamentando.  “Lamentar” é o primeiro processo de adaptação às perdas da nossa vida. Processo interior difícil e lento, extremamente doloroso, em que desistimos “passo a passo” e chegamos finalmente ao estágio em que aceitamos que há um fim para tudo, até mesmo para as coisas que amamos.

Saber “perder” na vida é o primeiro passo para lidar com os sofrimentos gerados pelas perdas. E poucos conseguem. Perder também é receber “não”. Não gostamos de “nãos”, pois eles nos “tiram algo”, nos contraria. E muitos não aprenderam a aceitar os “nãos” que a vida impôs. Talvez pela criação ou talvez por traumas passados. E a falta de não saber lidar com o “não”, com certeza, é o fator que mais desestrutura quem sofre uma perda. Para essas pessoas a sensação frente a perda é de aniquilamento do eu: "Não sou mais ninguém agora".
Há outros, contudo, que não toleram, ou não sabem lidar com perdas, porque se relacionam com o mundo de forma simbiótica. Necessitam das coisas e das pessoas para complementação de seu próprio eu e quando “perdem”, relatam que se “perdem junto”. Vivem sempre em dependência, necessitando sempre de alguém ou algo para serem felizes. Consideram que só serão felizes se estiverem com ou junto de alguém. Essas pessoas se apegam fortemente umas as outras, e independente de haver paixão, não conseguem se desligar, mesmo num relacionamento destrutivo. É o medo da solidão, do abandono, da perda.

Nas perdas por separação ou divórcio, o grau de dificuldade aumenta quando há filhos, pois será impossível romper definitivamente o relacionamento, sempre haverá questões a serem discutidas. E sempre haverá um pai ou uma mãe para aquele filho. É impossível banir a figura do outro totalmente. E a perda é dupla. A mãe perde o marido, ou vice-versa, e o filho perde o pai. O sofrimento é duplo. Sofremos por nós e pelo sofrimento de nossos filhos. Agora precisamos ficar atentos aos diálogos francos com as crianças, elas aprenderão a lidar melhor com os lutos, perdas e separações de toda ordem se houver verdade nas orientações as quais ela for exposta, logo frases do tipo: “Papai foi fazer uma longa viagem”, “Ele foi para o céu cuidar de alguém” ou “Ela foi para o céu cuidar dos anjos”, etc, pode gerar na criança a falsa expectativa de um retorno e prolongar indefinidamente o período de ansiedade ou de ter sido preterida ou abandonada por aquele que preferiu estar no céu ou viajando e não com ela. Já, numa separação, a criança deve ser informada do fim da união, não da paternidade ou maternidade: "Mamãe e papai não moram mais juntos, não são mais casados, mas você continua sendo nosso filho!".

Outra situação complicada é quando um dos cônjuges sai de casa e abandona a família. Como explicar o fato para as crianças sem fazê-las se sentir culpadas, abandonadas e não amadas? Não há fórmulas, mas usar sempre da verdade é fundamental, mas com cuidado para não destruirmos o outro pela nossa própria raiva. Não devemos incutir raiva na criança. O tempo mostrará a realidade e as verdades para os filhos e não cabe a nós julgar o outro. Quando sempre somos sinceros a verdade vai despontando devagar e os filhos não crescem com a sensação de menos valia, de culpa ou ódio.
Os familiares também precisam ficar atentos aos diálogos francos quanto à realidade do morrer, numa cultura que não educa para a verdade da morte. Acaba-se gerando uma espécie de tabu sobre o tema, porém fiquem atentos, sobretudo os pais: poupar o filho de sofrimentos é impedi-los de crescer. Não se adapta o mundo para nossos filhos, eles é que devem ser adaptados ao mundo! Tanto o adulto quanto a criança precisam viver a perda e aprender a organizar-se. Faz parte do processo de aceitação. Por mais dolorosa que seja a realidade, é com ela que se pode contar para reconstruir a vida. A perda é para o ser humano algo inevitável e pode causar sentimentos de angústia, tristeza ou mesmo períodos de depressão ou estados depressivos para depois reagirmos retomando o ânimo e o interesse novamente pela vida, assimilando a realidade inevitável da impermanência de todas as coisas.


O viver e o morrer, o perder e o não ter, são processos da existência humana, ensinar a criança a lidar com essa realidade desde cedo faz parte da educação e é imprescindível para que ela possa maturar os afetos e as emoções com mais saúde e equilíbrio. É um dever de quem cuida, e se estes têm dificuldades em lidar com o tema das separações, perdas e morte, busquem ajuda e depois revertam esse auxílio as suas crianças, assim, beneficiando sua qualidade de vida e saúde mental. 
É lembrem-se, só temos essa vida e cabe a nós escolhermos como vamos vivê-la, intensamente, apesar dos riscos do sofrimento, ou lamentando sempre, deixando-a simplesmente passar.

Veja também: FAMÍLIA: O ALICERCE PARA OS FILHOS DE PAIS SEPARADOS

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O QUE SERVE PARA TODO CEGO?

Encontrei esse texto na internet e achei muito interessante publicá-lo. Desmitifica o deficiente visual e evita rotulá-lo. Há ainda muito desconhecimento sobre as deficiências.


Quantas generalizações existem a respeito dos deficientes visuais! Por que será que tantas pessoas ainda insistem em dizer que todos os cegos são ou fazem isto ou aquilo?
Talvez você já deva ter ouvido alguma afirmação que dissesse respeito aos cegos, mas que, na realidade, não tivesse fundamento algum. Um dos exemplos dessas generalizações é a afirmação de que todo cego tem talento para a música, e, por isso, todo cego deve investir em uma formação musical.
Ora, sou adepta à idéia de que a Música deva fazer parte da educação de qualquer pessoa, mas acho que não há nada de especial com as pessoas cegas, a esse respeito. Acredito que alguém deficiente visual possa pensar em estudar música, caso tenha uma boa oportunidade para isso. Mas ainda que a oportunidade surja, essa pessoa deve participar das aulas caso sinta que tem facilidade para aprender. Mas ainda que haja a oportunidade e ainda que a pessoa se sinta inclinada ao aprendizado, ela deve, em última análise, estudar música se bem o quiser. Claro que música é som, e tudo o que é som, por princípio nos atrai. Mas mesmo reconhecendo isso, devemos ficar longe das imposições.
Outra afirmação, ligada à anterior, e tão despropositada quanto ela, é a de que todo cego tem um ouvido musical privilegiado. Está claro que usamos nossa audição para inúmeras coisas, e, em muitas situações de nossas vidas, ela é a única fonte de percepção do ambiente externo. Mas isso não tem nenhuma relação com o desenvolvimento de habilidades ligadas à percepção Musical. Conheci, certa vez, um cego que estudava música e que tinha um ouvido péssimo para distinguir as notas ou para entoá-las corretamente. Sempre o considerei como um presente para a humanidade, apenas pelo fato de que ele não se encaixava nas premissas desse mito tão divulgado.
E fora estas afirmações genéricas acima citadas, há ainda muitos outros exemplos fáceis de serem encontrados.
Todo cego tem dificuldade em matemática. De cara, posso afirmar que isso não é verdade. Eu, particularmente, sempre gostei dessa matéria e sempre tive nela um desempenho em pé de igualdade com os outros alunos. Talvez alguns cegos possam ter dificuldade em matemática porque ela não seja ensinada a eles de forma adequada. Ou talvez os próprios professores já carreguem consigo a crença de que os deficientes visuais não conseguem aprender como os outros alunos, e por isso, já nem se esforcem por lhes ensinar.
Todo cego é bom massagista. Falso. Sempre soube que a profissão de massagista exige muito cuidado, dedicação e aprimoramento. Portanto, não basta ser cego para se considerar um bom profissional.
Todo cego é inteligente. Ora, pela quantidade de cegos que há, se assim fosse, eles já teriam dominado o mundo!
Conheço muitas pessoas cegas que são excelentes músicos, que têm dificuldades em matemática, que são ótimos massagistas, ou que são muito inteligentes. Mas todos esses atributos não têm nenhuma relação com a deficiência.
Na verdade, há, de fato, apenas uma única premissa que serve para qualquer pessoa deficiente visual. Trata-se da afirmação de que todo cego não enxerga. E nada mais eles têm em comum por serem cegos.

(Texto de Fabiana Bonilha, cega de nascimento, Psicóloga, Professora, Barachel em música e Doutora em Musicografia Braille pela Unicamp).
(Republicação de post a pedido dos leitores, texto já publicado em 10/03/2010)

sábado, 9 de outubro de 2010

NÃO DEIXE DE LER

4. UM ANTROPÓLOGO EM MARTE
De Oliver Sacks, Companhia das Letras, 2006

O livro Um Antropólogo em Marte foi lançado no Brasil em 1995. O autor, Oliver Sacks, é um neurologista com grande habilidade para narrar distúrbios neurológicos complexos, distúrbios esses, ocasionados por doenças, derrames, tumores, síndromes ou mesmo por acidentes diversos. Já publicou nove livros e algumas de suas obras, pelo potencial em dramaturgia, foram adaptadas para o cinema. O filme mais conhecido é Tempo de despertar, baseado no livro de mesmo nome, produzido em 1991, com Robin Williams e Robert De Niro nos papéis principais. Outro filme também muito conhecido é À Primeira Vista, 1999, com Val Kilmer e Mira Sorvino. Este relatado no livro Um Antropólogo em Marte (caso 4).
Oliver Sacks tem se destacado nos últimos anos pela singularidade de sua obra. O neurologista, nascido em Londres, em 1933, ainda vivo e residindo atualmente nos Estados Unidos, apresenta seus estudos de caso para um público não especializado com uma linguagem muito mais literária do que técnica. 
Sacks mostra através de relato de casos clínicos, os esforços empregados por seus pacientes para a sobrevivência em meio a grandes adversidades e como desenvolvem uma capacidade adaptativa e criativa para conviver com doenças neurológicas devastadoras, que muitas vezes transformam a vida em uma realidade, quase insuportável.

Nesta obra são retratadas as histórias de 07 pacientes, sob a ótica da neurologia, e é possível compartilhar os questionamentos e angústias vividos pelo médico, diante desses quadros clínicos complexos e quase todos sem respostas ou solução:
    1. O caso do pintor daltônico – um acidente torna um pintor cego para todas as cores e com uma “visão de águia”.
    2. O último hippie – um tumor cerebral apagou todas as memórias posteriores a 1960 (o ano era 1977).
    3. Uma vida de cirurgião – o caso de um exímio cirurgião com Síndrome de Tourette.
    4. Ver e não ver – um cego passa a ver depois de uma cirurgia e “não sabe entender o mundo das imagens”. (Transformado em filme: À Primeira Vista).
    5. A  paisagem dos seus sonhos – relato sobre um pintor com uma memória incrível para todos os detalhes.
   6. Prodígios – sobre “idiots savants” , que possuem determinados talentos  que  parecem existir como segmentos isolados dentro do restante de uma mente bastante comprometida. 
   7.  Um antropólogo em marte – o caso de Temple Grandin, a do livro “Uma Menina Estranha”.

REVISTA AUTISMO - EDIÇÃO NÚMERO 0

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Pais brasileiros criam a primeira revista de autismo na América Latina, com 100% de voluntariado.

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