quarta-feira, 10 de março de 2010

O QUE SERVE PARA TODO CEGO!

Encontrei esse texto na internet e achei muito interessante publicá-lo. Desmitifica o deficiente visual e evita rotulá-lo. Há ainda muito desconhecimento sobre as deficiências.

Quantas generalizações existem a respeito dos deficientes visuais! Por que será que tantas pessoas ainda insistem em dizer que todos os cegos são ou fazem isto ou aquilo?
Talvez você já deva ter ouvido alguma afirmação que dissesse respeito aos cegos, mas que, na realidade, não tivesse fundamento algum. Um dos exemplos dessas generalizações é a afirmação de que todo cego tem talento para a Música, e, por isso, todo cego deve investir em uma formação musical.
Ora, sou adepta à idéia de que a Música deva fazer parte da educação de qualquer pessoa, mas acho que não há nada de especial com as pessoas cegas, a esse respeito. Acredito que alguém deficiente visual possa pensar em estudar Música, caso tenha uma boa oportunidade para isso. Mas ainda que a oportunidade surja, essa pessoa deve participar das aulas caso sinta que tem facilidade para aprender. Mas ainda que haja a oportunidade e ainda que a pessoa se sinta inclinada ao aprendizado, ela deve, em última análise, estudar Música se bem o quiser. Claro que Música é som, e tudo o que é som, por princípio nos atrai. Mas mesmo reconhecendo isso, devemos ficar longe das imposições.
Outra afirmação, ligada à anterior, e tão despropositada quanto ela, é a de que todo cego tem um ouvido musical privilegiado. Está claro que usamos nossa audição para inúmeras coisas, e, em muitas situações de nossas vidas, ela é a única fonte de percepção do ambiente externo. Mas isso não tem nenhuma relação com o desenvolvimento de habilidades ligadas à percepção Musical. Conheci, certa vez, um cego que estudava música e que tinha um ouvido péssimo para distinguir as notas ou para entoá-las corretamente. Sempre o considerei como um presente para a humanidade, apenas pelo fato de que ele não se encaixava nas premissas desse mito tão divulgado.
E fora estas afirmações genéricas acima citadas, há ainda muitos outros exemplos fáceis de serem encontrados.
Todo cego tem dificuldade em matemática. De cara, posso afirmar que isso não é verdade. Eu, particularmente, sempre gostei dessa matéria e sempre tive nela um desempenho em pé de igualdade com os outros alunos. Talvez alguns cegos possam ter dificuldade em matemática porque ela não seja ensinada a eles de forma adequada. Ou talvez os próprios professores já carreguem consigo a crença de que os deficientes visuais não conseguem aprender como os outros alunos, e por isso, já nem se esforcem por lhes ensinar.
Todo cego é bom massagista. Falso. Sempre soube que a profissão de massagista exige muito cuidado, dedicação e aprimoramento. Portanto, não basta ser cego para se considerar um bom profissional.
Todo cego é inteligente. Ora, pela quantidade de cegos que há, se assim fosse, eles já teriam dominado o mundo!
Conheço muitas pessoas cegas que são excelentes músicos, que têm dificuldades em matemática, que são ótimos massagistas, ou que são muito inteligentes. Mas todos esses atributos não têm nenhuma relação com a deficiência.
Na verdade, há, de fato, apenas uma única premissa que serve para qualquer pessoa deficiente visual. Trata-se da afirmação de que todo cego não enxerga. E nada mais eles têm em comum por serem cegos.

(Texto de Fabiana Bonilha, cega de nascimento, Psicóloga, Professora, Barachel em música e Doutora em Musicografia Braille pela Unicamp)

3 comentários:

  1. Mariza querida, nem vou comentar agora, gostaria tanto de te dar um beijo imenso!!!!!

    Venha tomar um café comigo.... Zé Carlos

    ResponderExcluir
  2. Boa noite, Mariza.
    Achei ótima essa matéria, porque, as pessoas ficam exagerando sim, e isso até já virou uma cobrança. O cego, tem o direito até de ser preguiçoso, não gostar de matemática, etc... igual o não cego, que neste caso, não está enxergando o exagero.

    Muito obrigada pela sua visita e pelo comentário.

    Um grande abraço. Feliz Páscoa!

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  3. Adorei esse texto.

    Um grande abraço.

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